quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

Consumir ou Viajar? A união entre o útil e o agradável


Vou partir do pressuposto que boa parte dos brasileiros tem plena consciência de que – nossos carros custam duas ou três vezes o valor que americanos e europeus pagam por eles, sendo que o deles vem com mais itens de série, e que os brasileiros sabem que argentinos e chilenos pagam menos por um carro fabricado no Brasil e exportado para eles.
Creio que não é nenhuma novidade dizer que perfumaria e cosméticos custam mais caro, o dobro ou mais, no Brasil do que em outros países.
Muita gente sabe também que roupas de grife, custam até 2, 3, 4, 5 vezes ou mais, que no exterior.
Diversas vezes vi em blogs ou até em noticiários, que compensa pegar um avião, ir até Miami, pagar uma noite de hotel, comprar um iPhone e voltar.
Sabemos que nossa carga tributária é altíssima. No mesmo patamar de países europeus, como França e Alemanha, com a diferença de que lá o cidadão vê resultados e aqui não.
O que não entendo é o comportamento do consumidor brasileiro. O governo reduz o IPI e as concessionárias de veículos lotam de compradores. Mas o carro continua custando o dobro de um carro americano. Não é um simples desconto de IPI que vai tornar nosso preço competitivo ou justo, seria necessário muito mais que isso – uma reestruturação completa na tributação e nas margens de lucros dos fabricantes, revendedores e bancos que lucram absurdos com os financiamentos.
Ostentar um carro de luxo no Brasil é dizer que tem orgulho de pagar impostos e sustentar grandes corporações. Se o carro é financiado, ok, os bancos adoram e lucram com a sua inocência.
Comprar um popular já é algo difícil de engolir, pois aqui no Brasil pagamos por um carro mil o mesmo que gringos pagam por um Honda Civic. Mas tudo bem, o transporte público geralmente é deficiente nas cidades, e temos que locomover.
O fato é que algo precisa ser mudado. A postura do governo ou a postura do consumidor. Recentemente o Ministro Mantega, traçou o plano de reduzir o preço de carros que consumam menos de 17,26km/l de gasolina, como meta para até 2016. Mas com o teor de álcool na gasolina, pouquíssimos carros serão elegíveis para este desconto. Afinal, com 20 ou 25% de etanol na gasolina, quantos carros conseguirão alcançar este patamar de consumo e ter esse desconto extra? Seria isso um plano para ajudar um fabricante ou outro? Vale pensar nisso.
Voltando às compras - O consulado norte americano abriu a distribuição de vistos – 2 milhões de vistos - pois já descobriu que o brasileiro é um ótimo cliente nos Estados Unidos. Obama sabe que brasileiros consumindo por lá, é ótimo para a economia norte americana. E para a economia brasileira? Provavelmente teremos 2 milhões de brasileiros deixando de consumir nos shoppings do Brasil e consumindo nos outlets americanos. E claro, alguns ainda trarão uma muambinha para vender pra quem não pôde ir.
Pra quem pode, vale a pena não consumir no Brasil. Sei que o impacto disso é péssimo para a economia e os pequenos empresários do Brasil. Estes serão seriamente afetados, e um efeito cascata poderá afetar toda a economia. Porém, existe outra forma de mostrar indignação e exigir justiça nos impostos e na forma como o dinheiro público é tratado?
Me perdoem, mas meu nacionalismo não é tão forte a ponto de continuar consumindo produtos de má qualidade a preço exorbitante, nem pagar absurdos (2 ou 5 vezes mais) para ter o mesmo que outros países pagam. Não quero mais justiça, quero apenas JUSTIÇA.
Pagar valores justos e impostos justos. Sendo que impostos justos são aqueles que dão um retorno de acordo com o valor pago.
Enquanto o Brasil não se torna justo, façamos bom uso dos vistos que o consulado norte americano esta liberando.

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