quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

A polêmica união civil


De repente, a união civil, mais especificamente entre pessoas do mesmo sexo, tornou-se um tema polêmico. Sinceramente, não deveria ser.
Se analisarmos o tema pelo lado dos homossexuais, do estado, da sociedade e religião, a qual consenso poderia chegar?
Para os homossexuais isso é muito positivo, pois estão garantindo que seu patrimônio e aquisições ficarão seguros e destinados a quem desejam, tal como nas relações heterossexuais ou nas relações corporativas.
Para o estado, o que interessa é garantir a segurança dos cidadãos e que seus impostos sejam recolhidos. Portanto, pouco importa de onde vem o dinheiro, aliás, até melhor que mais pessoas tenham relações estáveis, tenham direitos e aumentem seus patrimônios. O estado só tem a ganhar.
Para a sociedade, a questão pode ser vista de duas formas – 1) Cada um cuida da sua própria vida e pouco me importa o que os outros fazem entre 4 paredes. 2) Isto é uma vergonha e tem de ser combatido, pelo bem de nossas crianças e da família.
O que temos aqui são pontos de vista – um que não se importa com o que ocorre, e outro que acha ter direito de opinar sobre os hábitos de vida dos outros. As pessoas do segundo grupo precisam definir o motivo pelo qual se sentem ‘ofendidas’ com a escolha dos gays. Se a resposta for – porque isto é nojento ou anti natural, então o que elas precisam é parar de espiar a vida amorosa ou íntima dos outros. Não espiam, não se ofendem – simples assim.
Se o motivo for – a bíblia condena. Então temos que conscientizar tais pessoas de que o estado é laico, e nem todo mundo é obrigado a viver debaixo das leis cristãs. No Brasil, além dos cristãos temos – ateus, agnósticos, budistas, candomblecistas, hindus, wiccas e diversas outras crenças religiosas ou mesmo crenças pessoais que não se importam com a sexualidade alheia. Então, se devemos respeitar a religião alheia temos de respeitar a sexualidade alheia. Afinal, porque um casal homossexual ateu ou budista, deveria se importar com o que cristãos heteros pensam sobre eles? – não faz sentido tal preocupação num estado laico.
A bíblia não é o centro do universo para dirimir questões sociais, legais, sexuais, de saúde, financeiras, familiares etc. Para isso existe o sistema legal do país.
Mesmo depois disso tudo, vamos considerar o ponto de vista da religião – É válido! Afinal, a igreja é soberana no seu território. Sim, dentro do seu solo a religião tem o direito de falar o que quiser – desde que não gere intolerância, preconceitos, homofobia ou outros dissabores dos seus membros para com a sociedade. A igreja pode orientar as pessoas de acordo com suas crenças, mas deve respeitar os direitos e as leis. Portanto, a igreja tem o direito de negar o casamento gay, mas não pode ir contra a união civil.
Se a bíblia (ou qualquer outro livro ‘sagrado’) diz que a homossexualidade é algo que desagrada a Deus. Ok, então deixemos que Deus resolva o problema dele com as pessoas. Ou Ele nos convocou para militar e lutar? Se Deus incita isso, temos um problema entre Deus e o estado. Bom, melhor deixar que Deus continue seu projeto de julgar as pessoas após a morte enquanto nós prosseguimos vivendo, sendo felizes e respeitando as escolhas alheias.
Sem a pretensão de achar brechas na bíblia, para explicar ou justificar algo, pois isso é extremamente desnecessário. Afinal, nosso estado é laico!
E graças a esse estado laico é que homossexuais podem casar civilmente, o estado pode legalizar o aborto e cientistas podem fazer pesquisas com células tronco e com alimentos transgênicos.
O estado permitir que tais coisas estejam acessíveis à população não significa que elas sejam obrigatórias. Por exemplo, se o governo permite que em determinadas circunstâncias uma mulher pode abortar, não significa que ela seja obrigada, mas que ela tem a escolha.
Se alimentos transgênicos forem disponibilizados nas bancas das feiras, não significa que somos obrigados a comê-los, mas que podemos optar ou não por eles.
Se existe opção de tratamento de saúde oriundos das pesquisas com células tronco, não significa que somos obrigado a utilizá-los, mas que podemos optar ou não por eles.
Portanto, a igreja e a sociedade que é contra as novidades, precisa apenas entender que a disponibilização de certos produtos, leis ou serviços não tornam obrigatória sua utilização.
A polêmica é desnecessária. A regulamentação sim, esta é necessária. É graças a avanços como estes que acabou a escravidão, que as mulheres puderam votar, que a pílula anticoncepcional se tornou comum e tantas outras conquistas.



O resumo é esse, a legalização da união civil para homossexuais não afeta ninguém, apenas eles próprios. E claro, se estas uniões gerarem um bom espólio, a união recolhe mais impostos.

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